clube dos poetas vivos

sexta-feira, julho 29, 2005

Esta manhã acordámos

matematicamente separados

Um e um

Não dois

Toda a noite te ouvi respirar perto

Não sei se dormias

Eu amassava insónia com lágrimas

Silenciosamente

Fique já escrito que eu fico com os Tupperwares todos

O vazio também é meu

E vou precisar de muitas caixas para o guardar


in O Mundo das Ostras - Eugénia Mata

quinta-feira, julho 28, 2005

segunda-feira, julho 25, 2005

 www.diegomanuel.com.ar












As camas deviam ser todas estreitas

têm a medida certa enquanto dura a paixão

e depois ficam amplas

sem ficarem vazias demais


in "O Mundo das Ostras" - Eugénia Mata

sexta-feira, julho 22, 2005

As pessoas que se preocupam com o que os outros pensarão, são extraordinariamente optimistas

quinta-feira, julho 21, 2005




Vocês vão ver o blog destes meninos geniais


Objectos.blogspot.com


quarta-feira, julho 20, 2005



Sonhei uma escultura táctil e líquida

Em fusão directa com o meu corpo

Na sala vazia do museu das formas


in "O Mundo das Ostras" - Eugénia Mata

terça-feira, julho 19, 2005














Na cidade dos pensamentos

Em minha casa

Na sala esférica

Pendurei o quadro dos afectos

Estás lá

Na cidade dos pensamentos

Chego à janela e vejo-te

Posso acenar-te

Convidar-te para um chá de canela

Posso descer as escadas

Oferecer-te um manjerico

Ou salsa

Ou alguma erva imprevista

Na cidade dos pensamentos

Andamos nas mesmas ruas

E abraçamo-nos ao mesmo tempo

Bebemos copos de água

E café

Em pequenas pastelarias cinzentas

Almoçamos sardinhas muitas vezes

Ou sórdidas bifanas

Nas tascas que resistem

Na cidade dos pensamentos

Nunca se sabe a que hora

Vão tocar os sinos

Ou saltam os cantos das mesquitas

A que hora entramos nas mesmas lojas

Em busca de coisas miúdas

De cheiros ou de cores

Na cidade dos pensamentos

Vou a tua casa

E bebo o teu vinho

E o teu café

Dás-me petiscos e sangrias

Risos novos que inventas na altura

Levas-me à janela

Há fogo de artifício


in "O Mundo das Ostras" - Eugénia Mata

segunda-feira, julho 18, 2005

As putas são muito úteis. Senão quem é que levava com as taras todas?

sexta-feira, julho 15, 2005

As belas autárquicas

Eu queria tanto escrever poesia mas os políticos não me deixam... Calma! Calma que não é nada disso que estão para aí a congeminar de repressões e tal, nada disso, muito pelo contrário! Os políticos destes país são uma tão permanente fonte de inspiração para a escrita, que me distraem dos propósitos poéticos... é só isso!

Vejamos o PPM. Que ideia magnífica a de propor Elsa Raposo para presidenta da Câmara de Cascais! É ou não é?! Caramba, nem a minha imaginação com problemas de delírio frequentes teria tido uma ideia tão... tão... (desculpem, mas é cada vez mais difícil encontrar adjectivos à altura do génio dos nossos políticos), tão... tão-tão e acabou-se! Os outros partidos deviam seguir o exemplo! Talvez ainda dê tempo de mudarem de candidatos! Enchíamos as Câmaras Municipais de loiraças saídas da Quinta e mudava-se duma vez por todas a cara (e quem diz a cara diz o resto...) deste país!

Se a Elsa Raposo ganha, eu cá mudo-me para Cascais! É logo! E não perco um discurso, uma inauguração, o mais ínfimo evento camarário! E vou fazer as unhas à Câmara e as madeixas e tudo! Sim, porque eu não acredito que a Elsa não dê um toque pessoal naquilo tudo... Há de certeza uma colecção de departamentos que não se justificam e podiam ser substituídos com vantagem! Um Party Department? Um Sex Appeal Department? E porque não mesmo um gabinete de distribuição de pastilhas contra a depressão, para os munícipes mais murchitos? Podia-se até transformar uma parte do edifício da Câmara em centro comercial, com cabeleireiros, boutiques, ourivesarias, consultórios anti-depressivos, e outras coisas úteis em vez daquela chatisse do costume com requerimentos, selos brancos e toda essa trapalhada infame! Lá íamos nós todas serigaitas logo de manhã, a abanar as mini-saias, tomar um cafézinho à Câ (não fica mais giro que Câ-ma-ra?) ou então para não ser uma mudança tão brusca, Câma!

Eu só não voto porque não posso, mas quem for da zona que não hesite:

Elsa Raposo para a Câma de Cascais JÁ!

E temos que começar a pensar nas presidenciais! Eu proponho já a Lili Caneças, antes que o PPM se antecipe.

quinta-feira, julho 14, 2005




Viviam no último país a Ocidente


Tinham 1000 anos quase


E sempre tinham construído barcos


E algumas caravelas


Que depois enchiam de sedas e âmbares


E alguma miséria.


Todos teciam história, porque eram muito antigos.


As mulheres vestiam fados negros


E havia sempre poetas a chorar nas areias


Comiam bacalhau salgado e chamavam-se Portugueses.


in "O Mundo das Ostras" - Eugénia Mata

terça-feira, julho 12, 2005

Presunção e Água Benta

A presunção é minha, mas como candidata à pré-beatificação (já tive sarampo, rubéola, às vezes tenho uns tremeliques, mas deve ser só nervoso-miudinho, asma e moro na Europa), sinto-me na obrigação de colaborar com as entidades eclesiásticas, na solução dos problemas que assolam a Cristandade.

Temos o velho problema dos infiéis. (Refiro-me aos seguidores de Alá, não aos que desrespeitam o Santíssimo Sacramento do Matrimónio...)

A solução meus senhores está na água benta, não tem nada que enganar!

E não inventei nada! Dentro da melhor tradição da Igreja, voltávamos a utilizar o método que tão bons resultados deu com os judeus, quando os transformámos voluntariamente à força em cristãos-novos. Lembram-se? Espalhavam-se uns quantos sacerdotes entre a multidão e lá se regavam a eito os semitas com água benta, depois dava-se um nome de hortaliça às criaturas (Silva, Pereira, Parreira, etc) e zás, eram cristãos... novos, mas cristãos!

Podíamos fazer agora o mesmo aos árabes, com a facilidade de termos outros meios tecnológicos ao nosso dispor!

Uns quantos aviões de combate aos incêndios, ou melhor ainda, daqueles que as grandes potências utilizam... desculpem queria dizer utilizaram para a guerra bacteriológica, com os tanques cheios de água benta e pronto! Era uma dupla benção: ficavam baptizados e provavelmente até agradeciam, porque coitaditos chuva é coisa que eles raramente vêem... era um novíssimo maná líquido!

Quanto à questão dos nomes, podíamos ser um pouco mais tolerantes desta vez e deixar a botânica em paz, só uns toquezitos, uns liftings... Começávamos pelo Osama Ben Laden, esse malandreco que faz tudo para chamar a atenção (e que vendo bem é o principal mentor da campanha de Beatificação da Humanidade), ficava Hossana Bem Ladrem! Por exemplo... Ao Sadamzito também se podia dar um jeito: ficava só Sam (sempre é mais íntimo e os americanos ficavam sensibilizados!)... O Mu’ammar al Kadhafi largava o Mu (que o homem não é da Mimosa nem da Primor!) e ficava Ammar Ka, muito mais amoroso e pronunciável!

São só uns exemplos, para terem uma ideia.

Se se portassem mal depois de baptizados... enfim nada de inquisições, o tio Torquemada já está no céu e depois os tempos são outros, já não podemos andar pr’aí a acender fogueiras, até porque já pedimos desculpa... bem, pensava-se nisso depois, havia de se arranjar qualquer coisa...

O que é que acham? Esta ideiazinha (ainda em esboço!) repescada à tradição vale quantos pontos na minha caderneta de Pré-Beatificação? Quem é amiga? Quem é?!


segunda-feira, julho 11, 2005

Então isto é que é um Blog de Poesia?
Pois... Está a parecer um "bocadinho" contaminado pela pu...lítica...
Não é?
Pura coincidência!
Juro que não foi de propósito!
Juro que nunca menti!
Juro...

A pilinha serve para fazer chichi! Ouviram meninos?!


Proposta de Pré-Beatificação Global

“O cardeal português José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, do Vaticano, admitiu sexta-feira que o Papa João Paulo II, que morreu dia 2 de Abril, poderia ser considerado mártir.

Esta possibilidade abriria caminho à beatificação do Papa Wojtyla, cujo processo foi aberto terça-feira em Roma, sem que fosse necessário o reconhecimento de qualquer milagre. A base para tal decisão, de acordo com Saraiva Martins, seria o atentado que João Paulo II sofreu na Praça de S. Pedro, em Roma, a 13 de Maio de 1981. (...) O cardeal Camilo Ruini afirmou que havia um laço “decisivo” entre Wojtyla e Jesus Cristo: o Papa ofereceu “não só o seu sangue mas também a sua vida durante os longos anos da sua doença” (de Parkinson, que o atingiu há mais de 10 anos) (...).”

Jornal “Público” – Terça-Feira – 5 de Julho de 2005-07-09

Muito bem Senhores Cardeais! É assim mesmo! Mas alarguemos o conceito, democratizemos! Somos TODOS potenciais vítimas de atentados (ainda agora foi Londres...) e quanto a doenças, nem é bom falar!

Por isso proponho já uma pré-beatificação massiva da população mundial, mas com algum cuidado, para evitar a marabunta no Vaticano, com uma escala criteriosa, aferida à soma de circunstâncias trágicas de cada potencial beato.

Vejamos uns quantos casos possíveis e recentes:

O candidato estava no metro de Londres, mas só levou com uns vidros, parece que teve sarampo aos cinco anos e nunca sofreu da tiróide... deverá ser mártir? Hum... talvez como mártir de décima, não? Sofra mais um bocadinho, continue no caminho da Fé, vá até ao Oriente ou a África e esforce-se por apanhar uma maláriazita, uma febre amarela, um vírus da caganeira ou qualquer coisa de mais sólido e torne a meter os papéis.

Outro candidato ia a passar na estação de comboios em Madrid, apanhou um cagaço “daqueles” mas nem um beliscão (temos porém de contar com os danos psicológicos!), tem Alzeimer à 15 anos e uma prótese dentária... bem, já é diferente, não é verdade?

Outro ainda morreu nas Torres Gémeas em Nova Iorque, mas sempre foi são como um pêro, (o grande sacana!) devia no mínimo ter-se esforçado para apanhar rubéola, anginas que fosse, uma comichãozeca na próstata, qualquer coisa... Enfim não sofreu de nada que “decisivamente” o aproximasse de Jesus Cristo. Como classificá-lo no ranking dos beatificáveis?

Sim, porque esta história da beatificação é um assunto incontornável nos dias que correm, temos também o caso da Irmã Lúcia, a vidente, grande sortuda que teve a benção de ver Nossa Senhora de Fátima, imagem bela e agradável, enquanto nós só temos visões terríficas nos telejornais e afins, quando não temos mesmo alucinações provocadas pelos media, como no caso do “arrastão de Carcavelos” que nunca existiu...

Somos TODOS potenciais beatos e com milagres comprováveis! Sim, como é que havemos de chamar aos malabarismos milagrosos que fazemos diariamente para tentar viver com alguma dignidade não só neste país, mas no mundo?!

O Reino dos Céus é dos pobres... OK, mas enquanto vivemos nestas repúblicas dos infernos, como é havemos de fazer?

Uma promessa de beatificação geral sempre ajudava a ter Fé...

Eu cá quero inscrever-me! Senhor Cardeal Saraiva Martins não quer ter a caridade de me mandar os benditos impressos?

P.S. Só tenho uma dúvida: onde é que o Vaticano foi buscar a ideia de que Jesus Cristo tinha Parkinson?

sábado, julho 09, 2005

Yes Minister! Please Minister! Eduque-me esses gringos!

Internacionalizar é preciso...

Discurso do Ministro Brasileiro de Educação nos EUA...

Este discurso merece ser lido, afinal não é todos os dias que um
Brasileiro dá um "baile" educadíssimo aos Americanos...
Durante um debate numa universidade nos Estados Unidos actual
Ministro da Educação CRISTOVAM BUARQUE, foi questionado sobre
o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que
surge com alguma insistência nalguns sectores da sociedade
americana e que muito incomoda os brasileiros).
Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a
resposta de um Humanista e não de um Brasileiro. Esta foi
a resposta do Sr. Cristovam Buarque:


"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a
internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não
tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso.
Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a
Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de
tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada,
internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro...
O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a
Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas
sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e
subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser
internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres
humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de
um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego
provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais.
Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar
países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização
de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer
apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas
peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse
património cultural, como o património natural Amazónico, seja
manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com
ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro
deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do
Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em
comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu
acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser
internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a
humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro,
Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história
do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la
nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais
nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes
de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior
do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm
defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo
em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que
cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não
importando o país onde nasceram, como património que merece
cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia.
Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um
património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando
deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas,
enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a
Amazónia seja nossa. Só nossa! "

ESTE DISCURSO NÃO FOI PUBLICADO.

Já leram o discurso do Ministro da Educação do Brasil nos United Snakes of America?

Caramba! E não termos por cá políticos destes!
Já que importamos meretrizes de luxo, dentistas e publicitários... porque não um Ministro da Educação de jeito?

Será que se deixarmos de estar dormentes, ainda sentimos alguma coisa?

... julgamos ter nascido anteontem... dia 7 do 7 de...