“O cardeal português José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, do Vaticano, admitiu sexta-feira que o Papa João Paulo II, que morreu dia 2 de Abril, poderia ser considerado mártir.Esta possibilidade abriria caminho à beatificação do Papa Wojtyla, cujo processo foi aberto terça-feira em Roma, sem que fosse necessário o reconhecimento de qualquer milagre. A base para tal decisão, de acordo com Saraiva Martins, seria o atentado que João Paulo II sofreu na Praça de S. Pedro, em Roma, a 13 de Maio de 1981. (...) O cardeal Camilo Ruini afirmou que havia um laço “decisivo” entre Wojtyla e Jesus Cristo: o Papa ofereceu “não só o seu sangue mas também a sua vida durante os longos anos da sua doença” (de Parkinson, que o atingiu há mais de 10 anos) (...).”
Jornal “Público” – Terça-Feira – 5 de Julho de 2005-07-09
Muito bem Senhores Cardeais! É assim mesmo! Mas alarguemos o conceito, democratizemos! Somos TODOS potenciais vítimas de atentados (ainda agora foi Londres...) e quanto a doenças, nem é bom falar!
Por isso proponho já uma pré-beatificação massiva da população mundial, mas com algum cuidado, para evitar a marabunta no Vaticano, com uma escala criteriosa, aferida à soma de circunstâncias trágicas de cada potencial beato.
Vejamos uns quantos casos possíveis e recentes:
O candidato estava no metro de Londres, mas só levou com uns vidros, parece que teve sarampo aos cinco anos e nunca sofreu da tiróide... deverá ser mártir? Hum... talvez como mártir de décima, não? Sofra mais um bocadinho, continue no caminho da Fé, vá até ao Oriente ou a África e esforce-se por apanhar uma maláriazita, uma febre amarela, um vírus da caganeira ou qualquer coisa de mais sólido e torne a meter os papéis.
Outro candidato ia a passar na estação de comboios em Madrid, apanhou um cagaço “daqueles” mas nem um beliscão (temos porém de contar com os danos psicológicos!), tem Alzeimer à 15 anos e uma prótese dentária... bem, já é diferente, não é verdade?
Outro ainda morreu nas Torres Gémeas em Nova Iorque, mas sempre foi são como um pêro, (o grande sacana!) devia no mínimo ter-se esforçado para apanhar rubéola, anginas que fosse, uma comichãozeca na próstata, qualquer coisa... Enfim não sofreu de nada que “decisivamente” o aproximasse de Jesus Cristo. Como classificá-lo no ranking dos beatificáveis?
Sim, porque esta história da beatificação é um assunto incontornável nos dias que correm, temos também o caso da Irmã Lúcia, a vidente, grande sortuda que teve a benção de ver Nossa Senhora de Fátima, imagem bela e agradável, enquanto nós só temos visões terríficas nos telejornais e afins, quando não temos mesmo alucinações provocadas pelos media, como no caso do “arrastão de Carcavelos” que nunca existiu...
Somos TODOS potenciais beatos e com milagres comprováveis! Sim, como é que havemos de chamar aos malabarismos milagrosos que fazemos diariamente para tentar viver com alguma dignidade não só neste país, mas no mundo?!
O Reino dos Céus é dos pobres... OK, mas enquanto vivemos nestas repúblicas dos infernos, como é havemos de fazer?
Uma promessa de beatificação geral sempre ajudava a ter Fé...
Eu cá quero inscrever-me! Senhor Cardeal Saraiva Martins não quer ter a caridade de me mandar os benditos impressos?
P.S. Só tenho uma dúvida: onde é que o Vaticano foi buscar a ideia de que Jesus Cristo tinha Parkinson?