clube dos poetas vivos

terça-feira, julho 19, 2005














Na cidade dos pensamentos

Em minha casa

Na sala esférica

Pendurei o quadro dos afectos

Estás lá

Na cidade dos pensamentos

Chego à janela e vejo-te

Posso acenar-te

Convidar-te para um chá de canela

Posso descer as escadas

Oferecer-te um manjerico

Ou salsa

Ou alguma erva imprevista

Na cidade dos pensamentos

Andamos nas mesmas ruas

E abraçamo-nos ao mesmo tempo

Bebemos copos de água

E café

Em pequenas pastelarias cinzentas

Almoçamos sardinhas muitas vezes

Ou sórdidas bifanas

Nas tascas que resistem

Na cidade dos pensamentos

Nunca se sabe a que hora

Vão tocar os sinos

Ou saltam os cantos das mesquitas

A que hora entramos nas mesmas lojas

Em busca de coisas miúdas

De cheiros ou de cores

Na cidade dos pensamentos

Vou a tua casa

E bebo o teu vinho

E o teu café

Dás-me petiscos e sangrias

Risos novos que inventas na altura

Levas-me à janela

Há fogo de artifício


in "O Mundo das Ostras" - Eugénia Mata